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Por que não uso WhatsApp

WhatsApp - Logo

O WhatsApp nasceu como uma promessa e hoje se tornou um fenômeno de popularidade.

Dados de 2014 mostram que 55% dos brasileiros com mais de 10 anos de idade estão conectados à internet, são quase 95 milhões de brasileiros. Os mensageiros como WhatsApp e Facebook Messenger são usados por 83% desse total, isso representa quase 79.000.000 (setenta e nove milhões) de usuários.

Em 2013, no mudo, ele já era responsável por cerca de 18 bilhões de mensagens por dia! É muita informação nas mãos do Zuckerberg e Cia.

Como resistir aos apelos de usar um aplicativo tão popular? Principalmente quando a pessoa que não usa, é alguém que por força do trabalho está constantemente “conectado”?

Por isso o espanto das pessoas que me conhecem ao saber que não uso bendito WhatsApp, minha família, colegas de trabalho e clientes, todos questionam minha decisão. Como sou cobrado cada vez mais com maior veemência, resolvi escrever esse texto explicando meus motivos, essa tática já deu certo com o “bom dia, boa tarde, boa noite” (ver aqui), espero que funcione mais uma vez.

O provérbio bem conhecido que diz “Enquanto descansa, carrega pedra” dá bem a noção de minha rotina no uso do computador, no meu trabalho o uso é frequente, em casa faço formatação, páginas de internet e pequenos trabalhos gráficos, nos intervalos navego em busca de notícias, informações técnicas e novos conhecimentos. Assim quando não estou na frente da tela de um computador, quero mais é ficar “desconectado”, pois descansar os olhos e a mente faz muito bem. Praticamente só uso o smartphone como telefone e despertador, raramente uso aplicativos e quando preciso usar algum, instalo e depois do uso, desativo ou desinstalo, principalmente os que considero pouco seguros.

Só esse já seria um bom motivo para não usar o WhatsApp, pois com ele seria praticamente impossível um descanso do mundo virtual, mas existem outros motivos.

WhatsApp - PlayStore

Criei meu primeiro endereço de e-mail em 1996, na época era um serviço quase revolucionário, mas como quase tudo tem seu lado negativo, as caixas de entrada eram bombardeadas diariamente por uma quantidade imensa de lixo virtual na forma de anúncios não solicitados, correntes, piadas, vírus, pornografia, golpes e tudo que a mente desocupada ou criminosa conseguia imaginar. Era um trabalho hercúleo manter uma caixa postal relativamente limpa, para ter uma noção do tamanho do problema, 2014 foi o primeiro ano em que no Brasil o número de spam foi menor que o de mensagens reais e provavelmente uma das causas seja exatamente o WhatsApp. É que os spamers também estão migrando de plataforma, afinal atualmente tem mais vítimas potencias usando aplicativos em smartphones do que em correios eletrônicos.

Recentemente um amigo foi pescar e ficou três dias sem sinal no celular. Quando voltou, tinha mais de 1800 mensagens somente no seu WhatsApp, como encontrar algo importante nessa imensidão? Se alguém tem algo importante para tratar comigo, liga e resolvemos na hora. Simples assim!

As piadas que circulam no WhatsApp ainda são as mesmas que eu recebia no século passado por e-mail, no máximo o texto longo foi substituido por um vídeo, as correntes também são as mesmas, devidamente adaptadas. Os trotes e os golpes os mesmos, apenas um pouco mais sofisticados. Aquelas lindas mensagens motivacionais que recebia em Power Point, agora estão em forma de vídeos, mas quase sempre as mesmas. Nem o próprio WhatsApp é novo, seu sucesso se deve basicamente a popularização dos smartphones e da conectividade móvel, afinal desde 2003 existe o Skype que faz a mesma coisa. Se eu usasse o WhatsApp, minha vida seria um “Déjà vu” sem fim. Não, obrigado!

Mas a segurança é o item de maior peso na minha decisão de não “aderir à moda”. O aplicativo até parece ser seguro, segundo seu fabricante nada do que é enviado ou recebido fica arquivado em seus servidores, além das transferências serem criptogradas, justificam essa decisão como uma forma de se “proteger” da lei, pois desse modo não podem interceptar mensagens trocadas entre usuários mesmo que obrigados pela justiça, transferindo o ônus de possíveis ilegalidade para os usuários.

Isso seria muito bom se não tivesse alguns pontos falhos.

A única forma de instalar o WhatsApp é você dar a ele, acesso total a seu smartphone: Compras no app, Histórico do dispositivo e apps, recuperar apps em execução, Identidade, ler próprio cartão de contato, adicionar ou remover contas, encontrar contas no dispositivo, Contatos, ler seus contatos, modificar seus contatos, Local, localização precisa (GPS e com base na rede), localização aproximada (com base na rede), SMS, receber mensagens de texto (SMS), enviar mensagens SMS, Fotos/mídia/arquivos, alterar ou excluir conteúdo de armazenamento USB, ler conteúdo do armazenamento USB, Câmera, tirar fotos e gravar vídeos, Microfone, gravar áudio, Informações de conexão Wi-Fi, ver conexões Wi-Fi, Informações de chamada e código do dispositivo, ler status e identidade do telefone, Outras, ler estatísticas de sincronização, receber dados da Internet, controlar vibração, instalar atalhos, executar na inicialização, usar contas no dispositivo, parear com dispositivos Bluetooth, ler as configurações de sincronização, enviar transmissão persistente, conectar e desconectar do Wi-Fi, criar contas e definir senhas, ativar e desativar sincronização, ler a configuração de serviço do Google, impedir modo de suspensão do dispositivo, ver conexões de rede, alterar suas configurações de áudio, modificar configurações do sistema, acesso total à rede, desinstalar atalhos. Fonte: Google Play (No link “Ver Detalhes” do item Permissões)

WhatsApp - Instalação

Dizem que são necessárias para o bom funcionamento do aplicativo. Não sou um técnico da área, mas acho muito estranho um aplicativo de recebimento e envio de mensagens, vinculado a um número de telefone celular, precisar ter acesso ao histórico do dispositivo (tudo que você já fez em seu telefone), localização (onde você está nesse momento), ID do dispositivo (aquele número único que cada aparelho tem, e que só o proprietário deveria saber, pois é usado em caso de roubo do aparelho entre outros usos), informações da chamada (para quem liga, por quanto tempo, com que frequência, etc.) e criar contas e definir senhas entre outras permissões que não faz sentido algum, a menos que esse acesso possa ter algum uso vantajoso para seus desenvolvedores e/ou seus parceiros.

Fica mais estranho ainda quando sabemos que sua API (do Inglês Application Programming Interface – Interface de Programação de Aplicação) está disponível no github.com, assim qualquer programador pode desenvolver um aplicativo com funções maliciosas que podem usar as permissões do WhatsApp para assumir o controle de seu smartphone sem que você nem desconfie. Imagine um aplicativo hipotético que monitora os famosos permitindo votos dos fãs e ranking dos mais populares. Milhares de fãs iriam instalar um aplicativo assim, mas não só os fãs, afinal sabemos que o ego dos famosos é bem desenvolvido, e é justamente esse usuário famoso que o programador hipotético quer atingir, pois usando as permissões do WhatsApp o hipotético aplicativo terá acesso completo ao smartphone do famoso, para fazer o que sua cabeça criminosa conseguir imaginar.

WhatsApp - Permissões

Então um usuário comum nunca será um alvo preferencial… Ledo engano, todos os usuários são monitorados continuamente, pois na atualidade informação é um bem valioso e saber praticamente tudo de quase todo mundo não tem preço.

Um exemplo da vulnerabilidade dos smartphones é o site que vendia informações sobre qualquer pessoa, inclusive mensagens trocadas pelo WhatsApp. Leia essa matéria aqui.

Também tem o caso do jogo que “furta” o histórico do WhatsApp e salva no site deles. Lá, qualquer pessoa de posse do número do celular e uma pequena quantia tem acesso total a esse histórico (mensagens, vídeos, fotos, etc.) Leia essa matéria aqui

Usar ou não determinado aplicativo é decisão de cada usuário, mas infelizmente a maioria não sabe das implicações desse uso para sua segurança e/ou privacidade até que algo inesperado aconteça, aí já será tarde.

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